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Ministério da Saúde lança plano para preparar o SUS contra El Niño

Ministério da Saúde lança plano para preparar o SUS contra El Niño
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Estratégia nacional prevê 93 ações até 2035 para fortalecer a resposta da saúde pública a ondas de calor, secas, enchentes e outros eventos extremos

O Ministério da Saúde lançou nesta terça-feira (30) o AdaptaSUS, plano nacional que pretende preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) para enfrentar os impactos do El Niño e das mudanças climáticas. A iniciativa prevê investimentos de R$ 9,8 bilhões e reúne 27 metas e 93 ações que serão executadas até 2035 para tornar a rede pública mais preparada diante de eventos climáticos extremos.

A estratégia foi elaborada diante do aumento da frequência de ondas de calor, secas, enchentes, queimadas e outros fenômenos que já afetam diretamente a saúde da população brasileira. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a crise climática deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a representar um dos principais desafios para a saúde pública do país.

O plano está estruturado em cinco eixos principais: antecipação de riscos climáticos com emissão de alertas; fortalecimento da capacidade de resposta do SUS; adaptação da infraestrutura dos serviços de saúde; proteção das populações mais vulneráveis; e reconstrução de territórios atingidos por desastres ambientais.

Entre as medidas previstas estão a ampliação dos sistemas de monitoramento climático, integração entre órgãos de saúde e defesa civil, fortalecimento da vigilância epidemiológica e preparação das unidades de saúde para atender ao aumento de casos relacionados ao calor extremo, doenças transmitidas por vetores, problemas respiratórios e desastres naturais.

Excesso de calor

Outra ferramenta prevista é o Painel Nacional de Excesso de Calor, desenvolvido com o objetivo de apoiar ações de vigilância, prevenção e resposta aos riscos associados ao calor extremo, incluindo um sistema de alerta precoce com até cinco dias de antecedência.

As ações incluem ainda a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases nas cinco regiões do país, permitindo resposta mais rápida às emergências, apoio em eventos de massa e situações de desastre e estruturação da capacidade local de pronta resposta.

De acordo com a pasta, a ideia é que as equipes tenham capacidade de atender a qualquer tipo de emergência em até 12 horas, além de iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em questão em até 72 horas.

O ministério também trabalha com um protocolo específico sobre calor para idosos, com orientações que incluem:

oferecer água mesmo sem sede; evitar exposição ao sol durante os horários mais quentes; manter a casa ventilada, fresca e arejada; conferir se medicamentos de uso contínuo estão sendo tomados corretamente; usar soro fisiológico em caso de ressecamentos dos olhos ou das narinas.

Em coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou que a pasta considera a crise climática como uma crise de saúde pública. “A crise na saúde pública decorrente das mudanças climáticas é, talvez, uma das faces mais dolorosas e mais evidentes para a população dos impactos das mudanças climáticas”.

Ele destacou que um estudo recente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) contabilizou 120 mil mortes ao longo dos últimos 20 anos diretamente relacionadas ao aumento da temperatura média em várias regiões do país. “A mitigação é muito importante, o esforço para reduzir emissões de carbono que impactam as mudanças climáticas é muito importante e necessário, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente”, concluiu Padilha.

A iniciativa também considera o avanço do El Niño, fenômeno climático confirmado para 2026 e que pode provocar secas mais severas nas regiões Norte e Nordeste, aumento das temperaturas no Centro-Oeste e Sudeste e chuvas acima da média na Região Sul. Esses cenários elevam o risco de doenças, queimadas, enchentes e impactos sobre os serviços públicos de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, a intenção é fazer com que o SUS esteja preparado não apenas para responder às emergências, mas também para reduzir seus impactos sobre a população por meio de ações preventivas e planejamento de longo prazo.

*Com informações da Agência Brasil.

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