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Morte de torcedor em Goiânia gera preocupação para riscos cardiovasculares durante jogos da Copa

Morte de torcedor em Goiânia gera preocupação para riscos cardiovasculares durante jogos da Copa
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Em Goiânia, a morte de um torcedor durante o jogo entre Brasil e Japão acendeu o alerta

Na última segunda-feira (29), durante o jogo entre Brasil e Japão, um torcedor de 60 anos faleceu após passar mal. Segundo informações da TV Anhanguera, o homem estava em uma padaria quando sentiu um mal-estar após o gol da seleção japonesa. Logo depois, caiu da cadeira e bateu a cabeça no chão. Apesar das tentativas de reanimação feitas por pessoas no local e pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o homem, que não teve a identidade revelada, não resistiu.

De acordo com as informações, uma testemunha acionou o Samu pelo telefone 192 ao perceber que o torcedor estava inconsciente, com dificuldade para respirar e apresentava coloração arroxeada. A médica reguladora orientou, ainda durante a ligação, o início imediato das manobras de reanimação. O Serviço de Verificação de Óbito (SVO) foi acionado e constatou como causa principal da morte um choque cardiogênico decorrente de infarto agudo do miocárdio.

Mesmo que essa situação pareça algo pontual ou isolado, uma pesquisa publicada em 2013 na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia, conduzida por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados das Copas do Mundo de 1998, 2002, 2006 e 2010. O levantamento apontou aumento entre 4% e 8% na incidência de infarto agudo do miocárdio no Brasil em dias de jogos da Seleção Brasileira, além de crescimento de até 16% nas internações por problemas cardíacos no período.

Cardiologistas alertam que os dias de jogos decisivos exigem equilíbrio. A preocupação central envolve o estilo de vida adotado e os excessos cometidos durante as comemorações.

Limites devem ser respeitados

De acordo com o cardiologista Dr. Giuliano Seraphim, momentos de forte expectativa ativam respostas biológicas automáticas, mas o perigo se consolida quando o torcedor ignora os limites do próprio corpo.

“Quando passamos por uma situação de forte tensão ou estresse emocional elevado, nosso organismo libera substâncias catecolaminérgicas, como a adrenalina e a noradrenalina. Elas promovem o aumento da pressão arterial, elevam a frequência cardíaca e provocam a vasoconstrição. […] O risco severo surge para indivíduos mais suscetíveis ou que possuem fatores de risco silenciosos e ainda não diagnosticados no consultório”, explica o médico.

Segundo o cardiologista, o risco cardiovascular pode ser potencializado quando o estresse do jogo é acompanhado por hábitos comuns em dias de festa. A combinação entre álcool, tabaco e alimentos gordurosos cria uma sobrecarga no organismo. A orientação é que os torcedores aproveitem os jogos com equilíbrio, evitando exageros antes, durante e depois das partidas. Hidratação adequada, sono regular, pausas para se movimentar e caminhadas leves nos intervalos podem ajudar a reduzir os efeitos da tensão.

Seraphim explica que a principal maneira de reduzir o risco é manter a prevenção em dia. Pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado ou histórico familiar de doenças cardiovasculares devem redobrar a atenção e não interromper medicamentos de uso contínuo em dias de jogos, mesmo em situações de consumo moderado de bebida alcoólica.

Para pessoas acima de 35 a 40 anos, manter os exames de rotina atualizados é uma das formas mais seguras de identificar riscos silenciosos.

Diferenças entre ansiedade e infarto

O médico também explica as diferenças entre os sintomas de ansiedade e os sinais de um problema cardíaco. Palpitação, aperto leve no peito e sensação de falta de controle podem aparecer em crises de ansiedade e, em geral, tendem a melhorar quando o estresse diminui.

Já a dor de origem cardíaca costuma apresentar sinais mais persistentes e intensos. O atraso na busca por atendimento médico pode agravar o quadro, principalmente em casos de infarto. A dor de origem cardíaca é descrita como um aperto forte ou uma sensação de peso no peito e costuma vir acompanhada de sudorese fria, falta de ar e sensação de sufocamento. Em caso de dúvida, o paciente deve ser encaminhado para um serviço de emergência, onde será avaliado por um médico especialista.

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