José Mário Schreiner representa o agronegócio, enquanto Luiz do Carmo tem ligação com o segmento evangélico, dois dos principais eleitorados de Goiás
A escolha do candidato a vice-governador na chapa do governador Daniel Vilela (MDB), pré-candidato à reeleição, coloca dois nomes e duas estratégias diferentes no centro das articulações políticas em Goiás. De um lado, o ex-deputado federal José Mário Schreiner, presidente licenciado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás. Do outro, o ex-senador Luiz do Carmo, ligado ao segmento evangélico e com presença entre lideranças religiosas do Estado.
Ouvidos pelo O HOJE, representantes dos dois setores apresentam argumentos distintos sobre o que deve ser levado em consideração na escolha do vice ideal. Enquanto o bispo Oídes José do Carmo destaca a capacidade eleitoral dos evangélicos, o consultor de agronegócio Enio Fernandes defende que José Mário reúne experiência, conhecimento técnico e capacidade de diálogo para ajudar tanto na campanha quanto em um eventual novo governo.
Presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos da Assembleia de Deus do Ministério de Madureira em Goiás, a Comadego, e da Assembleia de Deus Ministério de Campinas, em Goiânia, Oídes afirma que Daniel se encontra em uma posição favorável por ter ao seu lado dois segmentos importantes da sociedade goiana.
“Feliz é o Daniel Vilela, que tem ao seu lado importantes segmentos da sociedade, tais como o agro e a força de expressiva parte dos evangélicos”, afirmou.
Na avaliação do bispo, entretanto, a decisão deve considerar aquilo que cada grupo pode entregar eleitoralmente. Irmão do cotado para o cargo de vice Luiz do Carmo, Oídes faz uma comparação entre a capacidade financeira do setor produtivo e a força de mobilização das igrejas.
“Um tem votos, o outro tem dinheiro. Se eu fosse candidato, certamente saberia qual dos lados renderia em termos de votos”, declarou.
A fala reforça o argumento de que Luiz do Carmo poderia agregar à chapa principalmente pela ligação com o eleitorado evangélico. As igrejas possuem capilaridade por todo o Estado, o que pode contribuir para a mobilização política durante a campanha.
Por outro lado, o consultor de agronegócio Enio Fernandes considera que José Mário Schreiner possui características importantes para ocupar a vice. Segundo ele, a trajetória do ex-deputado à frente de entidades representativas demonstra capacidade de liderança e conhecimento das necessidades do campo.
“Sua trajetória à frente das entidades representativas do setor produtivo demonstra capacidade de diálogo, liderança, equilíbrio e profundo conhecimento das demandas do campo”, afirmou.
Enio também destaca que José Mário não atua apenas na defesa de produtores rurais, mas possui experiência na construção de consensos e na discussão de pautas relacionadas ao desenvolvimento econômico do Estado e do País.
Para o consultor, a presença do presidente licenciado da Faeg na chapa poderia fortalecer a relação entre o governo estadual e um dos principais setores da economia goiana. Além disso, ajudaria a aproximar Daniel de produtores, cooperativas, agroindústrias e lideranças do interior.
“Sua presença no governo representaria uma oportunidade de fortalecer a interlocução entre o Estado e um dos principais motores da economia goiana”, argumentou.
Enio avalia que essa aproximação pode favorecer a criação de políticas voltadas para investimentos, infraestrutura, inovação, geração de empregos e aumento da competitividade. Na opinião dele, José Mário poderia exercer uma função que iria além da representação eleitoral do agronegócio.
“Mais do que representar um segmento, José Mário pode ser a ponte entre o governo e toda a cadeia produtiva, fortalecendo políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à geração de oportunidades e ao crescimento econômico”, disse.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.



